DIA 06
Trecho: Alvorada de Minas X Itapanhoacanga
Distância: 17 Km
Saímos da pousada às 08h,
após o café da manhã. Simone teve que voltar no restaurante onde almoçamos no
dia anterior para ver se encontrava meu relógio que, provavelmente, tinha
esquecido ontem. E deu certo! O dono do restaurante tinha guardado para mim,
imaginando que iria procurá-lo.
Aliás, ontem foi dia de
desapego, pois Simone esqueceu a capa do tripé da máquina fotográfica em algum
ponto às margens do caminho quando parou para tirar fotos.
Para nossa alegria, a
caminhada de hoje começou em estrada de terra e permaneceu assim durante todo
trajeto. Estrada de terra bem acertada, boa tanto para caminhar, quanto para ir
de carro.
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| Caminhada hoje foi toda em estrada de terra. |
Na paisagem do começo da
caminhada o que predomina são as propriedades rurais, com seus morros verdinhos
e vários pontos de mata atlântica preservada.
O trecho tem muitas subidas,
com uma inclinação bem maior do que as do trajeto anterior, contudo ao
chegarmos nos topos dos morros, sempre descortinava uma linda vista da região!
A oeste, voltamos a avistar a cadeia do Espinhaço: Serra do Veado, Maciço da
Pedra Redonda (1335 m. alt.) e Pedra Aguda (1298 m. alt.).
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| Enfrentando uma das subidas do caminho |
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| Depois de vencer um morro |
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| Vista num topo de morro |

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| Pedra Aguda (1298 m.) |
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| Serra do Veado |
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| Maciço da Pedra Redonda (1335 m.) |
Alguém pode se perguntar: “Como eles sabem os nomes das serras e dos pontos interessantes?” Temos três guias da Estrada Real, mas especificamente o guia do Caminho dos Diamantes nos informa exatamente a quilometragem onde se avista as principais formações naturais, atrativos e demais referencias do caminho.
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| Nossos guias da Estrada Real |
Depois de caminhar cerca de
08 Km, acessamos a MG10, aqui ela ainda é de terra. Mas por pouco tempo, já que
obras de pavimentação e duplicação estão a todo vapor. Já dizia Sá e Guarabyra:
“No sertão as cidades esperam o dia em
que o asfalto chega”.
Na MG10, uma motociclista,
que vinha em sentido contrário, ao me ver diminuiu a marcha, me cumprimentou e
parou querendo saber um pouco da nossa saga. Disse para ele os lugares pelo
quais passamos, para onde estava indo e onde seria o derradeiro destino da
aventura. Ele ficou admirado! Me disse que estava vindo de Diamantina e que
estava indo para região da Serra do Cipó. Nos despedimos e segui caminho!
Depois de caminhar cerca de
03 Km na MG10, viramos a esquerda numa estradinha de terra em direção a
Itapanhoacanga. O caminho continuou muito agradável, alguns trechos de mata
fechada e outros campos abertos de sedes de fazendas centenárias. Agora a Pedra
Aguda e a Serra do Veado bem mais próximas de nós.
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| Pelas curvas da Estrada Real |
Faltando cerca de 03 Km para
chegar em Itapanhoacanga, atravessamos duas pontes sobre o Rio Escadinha. Nesse
local, mãos escravas construíram um cânion que está lá até hoje!
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| Ponto conhecido como Duas Pontes |
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| Duas pontes sobre Rio Escadinha |
Chegamos em Itapanhoacanga
por volta das 13h. Um vilarejo de pessoas bem receptivas e simpáticas!
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| Vista parcial de Itapanhoacanga |
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| Foto no último marco do trecho. |
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| Curtindo o fim de tarde em Itapanhoacanga |
Umas das coisas que
estávamos querendo comprar eram frutas, principalmente banana que, devido ao
potássio, ajuda a evitar câimbras.
A moça do caixa da mercearia
nos explicou que em Itapanhoacanga não se vendia banana, pois muitos moradores
plantam o pé da fruta e doam para quem não tem.
Compramos as outras coisas e
saímos da mercearia. De repente um senhor, que depois se apresentou como
Délcio, nos chama: “Ei! Vocês estão
querendo banana? Eu planto em casa, só que não consigo pegar hoje, mas naquela
casa com varanda ali na frente a Dona Maria do Carmo dá para vocês! Eu vou lá
com vocês!”
Falamos com ele que não
precisava se incomodar e nem incomodar a Dona Maria, afinal de contas a banana
não era algo essencial, mas ele insistiu demais e no interior as pessoas gostam
de ajudar e não aceitar é considerado uma desfeita.
Chegando lá o Sr. Délcio foi
entrando para dentro da casa e logo, logo voltou com uma sacola cheia de
bananas!
Que lição aprendemos! Não é
pelo valor do objeto em si, banana, mas sim pela atitude! No interior as
pessoas tem prazer de cooperar umas com as outras, mesmo sem conhecê-las.
Enquanto que nas grandes cidades impera o espírito da competição! Nas escolas
das grandes cidades, as crianças são ensinadas a competir umas com as outras
desde cedo, em vez de ensiná-las o valor da cooperação.
Nas grandes cidades, muitas
pessoas se sentem bem quando pensam que estão numa condição superior, ou quando
pensam que são melhores que as outras. Nas pequenas cidades as pessoas se
sentem bem quando são úteis para as outras, quando se doam, ou partilham o que
tem!
























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