Antiga Estrada Real para Vila Rica (Pintura de Rugendas)
Primeiramente é interessante ressaltar que Estrada
Real, ou Estrada do Rei, é um termo muito antigo, utilizado por vários reinos
para designar os caminhos declarados como oficiais pelas coroas e impérios. No
Brasil Colônia foram estabelecidas várias estradas reais, mas sem sombra de
dúvidas, as mais importantes foram as estradas reais que serviram para escoar
as pedras preciosas que eram extraídas da Capitania das Minas Gerais!
Para entendermos como se deu o surgimento
da Estrada Real em Minas Gerais é necessário voltarmos ainda mais no tempo.
No final do séc. XV com o “descobrimento” do chamado
novo mundo pelos europeus, a América foi dividida entre Espanha e Portugal após
a assinatura do Tratado de Tordesilhas.
Os colonizadores espanhóis iniciaram a exploração de
metais preciosos já no séc. XVI após encontrarem os tesouros das civilizações
inca e asteca, sobretudo ouro onde hoje é território do Peru e do México e
posteriormente prata onde hoje é Bolívia.
No Brasil foi diferente, os primeiros 30 anos após o
"descobrimento", ou seja, até por volta do ano de 1530, nossa terra foi marcada
pela exploração de madeira, especialmente extração de Pau Brasil. Esta fase no
Brasil é chamada de pré-colonial. Nesse momento, o Estado português e sua
burguesia estavam mais interessados na África e na Ásia, onde os lucros eram
imediatos com o comércio das especiarias asiáticas e dos produtos africanos,
como o ouro, o marfim, além do escravo negro.
Só a partir de 1530 que Portugal decide realmente
povoar e colonizar as terras brasileiras trazendo para cá as primeiras mudas de
cana de açúcar. A partir de então a cana de açúcar passou a ser o principal
produto da economia colonial. O ciclo do açúcar no Brasil ficou compreendido
entre meados do século XVI e meados do século XVIII.
Com as exportações do açúcar decaindo devido à
concorrência mundial no mercado consumidor e, concomitantemente, as jazidas de metais preciosos na África se esgostando, a coroa portuguesa acreditou que
também poderia encontrar ouro no Brasil, tendo em vista que os espanhóis
encontraram pedras preciosas na sua porção da América bem antes no século XVI.
Foi então que a coroa portuguesa determinou que se
realizassem expedições pelo interior do Brasil. Para realizar essas expedições
a coroa contratava ou autorizava que certos homens, oriundos do território que
hoje é o estado de São Paulo, se dedicassem a essa empreitada. As expedições
organizadas pelo governo eram conhecidas como Entradas, já as organizadas por
particulares eram conhecidas como Bandeiras, daí a denominação bandeirantes para
esses homens.
Os bandeirantes contribuíram, em grande parte, para a
expansão territorial do Brasil além dos limites impostos pelo Tratado de
Tordesilhas, ocupando o Centro Oeste e o Sul do Brasil. Para se orientarem pelo
interior do Brasil, os bandeirantes seguiam muitas vezes os cursos de rios ou
as trilhas utilizadas pelos índios. Foram os bandeirantes os descobridores do
ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Foi então na segunda metade do
século XVII que a coroa portuguesa iniciou a extração de ouro no Brasil. A
mineração de pedras preciosas atingiu o apogeu na segunda metade do séc. XVIII,
entre os anos de 1750 e 1770.
Com o descobrimento das jazidas de ouro nas Minas
Gerais, esses caminhos utilizados pelos bandeirantes foram sendo gradualmente
melhorados, e com o passar dos anos foram surgindo ao longo do caminho
povoados, arraiais, vilas e cidades em que se organizou a massa populacional
envolvida com a economia da mineração e com as economias a ela associadas, como agropecuária para abastecer as regiões mineradoras.
A extração de pedras preciosas em larga escala exigiu
uma rigorosa disciplina e fiscalização por parte da metrópole para garantir a
arrecadação de impostos, como por exemplo, o “quinto” e a “derrama” e também
para evitar os desvios da produção aurífera e de diamantes como contrabando e o
descaminho. Uma das formas de exercer o controle era o estabelecimento de um
caminho oficial onde seriam erguidas casas de registro (postos de fiscalização)
por onde as pedras preciosas e demais mercadorias taxadas pela coroa
obrigatoriamente deveriam passar para se chegar às cidade portuárias de onde
produtos eram exportados ou chegavam à colônia.
Por terem constituído, durante longo tempo, as únicas vias
autorizadas de acesso à região das reservas auríferas e diamantíferas da
Capitania das Minas Gerais, esses caminhos adquiriram, já a partir da sua
abertura, natureza oficial. A circulação de pessoas, mercadorias, ouro e
diamante era obrigatoriamente feita por eles, constituindo crime de
lesa-majestade a abertura de novos caminhos. Surgia assim a ESTRADA REAL em
Minas Gerais!
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| Caminho dos Escravos - Liga Dist. de Mendanha a Diamantina |
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